História

A casa que passou a chamar-se Colégio do Sagrado Coração de Jesus, na Rua da Estacada nº 11, foi comprada pela Congregação das Irmãs da Caridade do Sagrado Coração de Jesus, no dia 18 de Dezembro de 1947, a D. Joaquim Guilherme Pinto, por duzentos e setenta mil escudos. Dado que a Congregação só gozou de personalidade jurídica civil em 1950, a casa também só ficou registada na Conservatória de Bragança, a favor da mesma Congregação, no dia 4 de Dezembro de 1952. Entretanto fica registada em nome da Diocese, tendo pago esta, no momento da escritura, duzentos mil escudos e a Congregação setenta mil, comprometendo-se verbalmente a ir entregando a quantia do empréstimo, o que fez com a maior diligência.

A Congregação estendeu-se a Portugal em 1936. Tempos difíceis de uma Europa em convulsão e de um país a tentar consolidar-se. É o tempo dos regimes ditatoriais, com a Espanha a braços com uma guerra civil que acaba por ter os seus reflexos em Portugal. Muitos são os habitantes do país vizinho que buscam neste espaço, aparentemente, mais calmo, a serenidade que necessitam. A fuga à instabilidade e à insegurança, talvez, tenha precipitado a vinda para Portugal da Madre Pilar Cilleruelo e da Irmã Lucília Fernandez. Não foi fácil a instalação. Escassez de meios, nomeadamente a falta de recursos financeiros, de desconhecimento do espaço e alguma dificuldade de comunicação, proporcionaram algumas contrariedades, pese embora o país ser de tradição católica.

Em busca do espaço que pudesse acolher as Irmãs, Lisboa e Évora foram cidades visitadas. Era necessária uma autorização superior por parte da diocese. De Lisboa, o Prelado alegando a existência de um número suficiente de religiosas, declinou o pedido; por seu turno, Évora justificava-se argumentando que o Governo não autorizava as religiosas a exercerem o magistério. Embora com o espectro do insucesso a pairar, não desanimaram.

Porto foi a cidade que acolheu as Irmãs. O Bispo do Porto, tendo em atenção os Jesuítas espanhóis e especialmente o padre Sotillo, autorizou que se fundasse a casa para o noviciado. No que respeita ao exercício do apostolado por meio do ensino, apenas permitiu ministrar ensinamentos que não fossem já lecionados nos Colégios das religiosas existentes em Penafiel, restando-lhes exercer uma atividade no campo dos vários lavores femininos.

Dado que os meios eram cada vez mais escassos, havendo necessidade de recorrer à caridade pública para poder pagar a renda da quinta, não foi possível continuar a missão a que se tinham proposto.

Deixando Penafiel, as Irmãs chegaram a Bragança no dia 23 de Agosto de 1940, tendo sido bem acolhidas pelo bispo da Diocese, D. Abílio Vaz das Neves, que lhes confiou, de imediato, a responsabilidade da Obra Diocesana “Patronato Benéfico de Nossa Senhora de Fátima”, sita na Rua de S. João nº 56, que acolhia crianças pobres, a quem era proporcionada a refeição do meio-dia. A par desta refeição, as crianças e as jovens passaram a receber das Irmãs, catequese, aulas de corte e coinfecção, música, bordados e outros trabalhos femininos. Esta casa, e outra mesmo ao lado, com o nº 58, bastante grande, em boas condições e com uma pequena horta, que as Irmãs alugaram, e a que chamaram Colégio do Sagrado Coração de Jesus, passaram a albergar, em regime de internato, as jovens estudantes do Liceu e os grupos de Ação Católica Feminina que se reuniam para fazer os Retiros e os Cursos de Formação. As Irmãs cuidavam, ainda, a roupa da Capela da Residência Episcopal e do Seminário, reparavam paramentos de algumas Igrejas fora da cidade e proviam-nas das hóstias necessárias.

Tendo o Governador Civil, Dr. Raul Mesquita Lima, decidido reunir em um só Centro as Obras de beneficência da cidade, - O Asilo Duque de Bragança e o Patronato de Nossa Senhora de Fátima - pediu às Irmãs que assumissem a responsabilidade desta nova Obra, o que aconteceu a 2 de Fevereiro de 1946, nas instalações do antigo convento de S. Francisco e que passou a chamar-se “Asilo Escola de S. Francisco”.

O Colégio da Rua da Estacada, nº 11, que tomou o nome do anterior “Colégio do Sagrado Coração de Jesus”, foi a primeira compra que as Irmãs fizeram. Este acolheu, em regime de Internato, um grande número de Meninas, que frequentavam os diferentes Estabelecimentos de Ensino (Escolas Primárias, Ciclo Preparatório Augusto Moreno, Liceu Nacional de Bragança, Escola Industrial e Escola de Magistério Primário). Em 1948 adquiriu o Alvará para lecionar o Ensino Liceal (1º e 2º ciclos), em regime de planos e programas oficiais. Entretanto desde 1958 o Colégio passa a ministrar o Ensino Primário às crianças em regime de externato, frequência que vai aumentando sucessivamente.

Com o surgir de novas facilidades do Ensino Estatal, desde a mudança do Regime Político, a frequência dos alunos do Ensino Liceal no Colégio foi diminuindo, tendo funcionado ainda, ao mesmo tempo, um curso intensivo para alunos adultos com a duração de 2 anos que lhes dava as mesmas habilitações académicas do Ensino Estatal.

Em 11 de Outubro de 1977, foi pedido o cancelamento da autorização para o funcionamento do Ensino Liceal e foi autorizado o Ensino Infantil e aumentada a lotação do Ensino Primário.

A par das atividades inerentes ao Colégio, a Pastoral: Catequética, Animação Litúrgica, Apostolado da Oração, Grupos Juvenis e a ocupação dos tempos livres passou a ter um lugar fundamental no trabalho das Irmãs.

A 31 de Agosto de 1993 a educação Pré-escolar, a Creche, e o Centro de Atividades de Tempos Livres, passam a regime de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), denominando-se Centro Social Sagrado Coração de Jesus, pelo Decreto-Lei nº 119/83. Deste modo, o Colégio fica a ministrar apenas o 1º Ciclo do Ensino Básico.

Podem apontar-se como razões que justificaram a mudança de instalações do Colégio da Estacada, sobretudo as duas seguintes: diminuição do número de residentes em regime interno, a par da dificuldade de Irmãs para atendê-las, acabando mesmo por encerrar e a necessidade de fazer obras no sentido de proceder a mudanças/reparações de fundo no edifício e a não aprovação por parte das entidades competentes. Daí que, desde o início do Ano Letivo de 1998/99 o Colégio e o Centro Social passam a ter novas instalações, em Vale d’Álvaro.

O objetivo do Colégio, como centro católico, integrado na missão universal da Igreja, através da sua ação educativa, com um Ideário Educativo próprio inspirado na figura da Madre Isabel Larrañaga (1836-1899), fundadora da Congregação, através da sua pedagogia “Prevenir e Amar”, tem sido o de oferecer uma excelente formação humana, social e cristã.

O Colégio encontra-se hoje situado na Rua Dr. António Carmona e Lima, Nº 14, ocupando o edificio 31%, numa área de 21.560 metros quadrados. A área restante distribui-se por zonas de recreio, desporto, zonas verdes e arborizadas, circulação e parqueamentos.

O edifício integra uma Igreja, desde o ano 2000, de estilo moderno, com muita luminosidade e rica de vitrais, com capacidade para 350 pessoas.

Dia 30 de Junho do ano 2000, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, foi dedicada a Igreja, pelo Rv.mo Sr. Dº. António José Rafael, Bispo de Bragança-Miranda, ficando a chamar-se Igreja do Sagrado Coração de Jesus, funcionando como Centro da Paróquia de Santa Maria e S. Vicente.

Aberta ao público, começou por ser celebrada Eucaristia diária, às 8horas e a dominical, às 10horas. A oração do santo Rosário tem lugar às 21h, nos meses de maio e junho.

Desde o ano letivo de 2013/2014 deixou de ser celebrada a Eucaristia dominical.

Atualmente, de segunda a quinta-feira é celebrada a Eucaristia às 19h e à sexta-feira, com as Crianças do Colégio, às 9.30h.

O Colégio proporciona o ensino da Catequese às Crianças do 1º ao 4º Ano, no horário da Componente de Apoio à Família. À quarta-feira à tarde, os Adolescentes recebem formação cristã, integrados no Movimento Eucarístico Juvenil.